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Esculturas de José Aurélio
O fundador doou um sigificativo conjunto de obras de sua autoria, que abrangem várias épocas e fases do seu percurso de escultor.
Parte dessas obras irão constituir o núcleo permanente de escultura do Armazém das Artes, na sequência da programação de Exposições temáticas, previstas para o próximo triénio 2008/2010. "Pan", 1962
Algumas Notas Biográficas
José Aurélio nasceu em Alcobaça em 1938. Numerosas exposições individuais e colectivas. Numerosos prémios nacionais e internacionais. Representado em museus e colecções particulares, nacionais e internacionais. Trabalhando na Porta das Artes Principais Obras Públicas
1966 - Mão, Óbidos 1976 - Monumento ao General Humberto Delgado, Cela Velha 1977 - Cruz de Cristo 3D, Embaixada de Portugal - Brasília 1978 - Padrão do 8º Centenário da Fundação da Abadia de Alcobaça, Alcobaça 1979 - Monumento a Manuel Laranjeira, Mozelos - Santa Maria da Feira 1982 - Grande Escultura da Carris, Miraflores - Lisboa 1985 - Monumento à Padeira de Aljubarrota, Aljubarrota - Alcobaça 1985 - Monumento às Origens de Porto de Mós, Porto de Mós 1988 - Gárgulas da Torre do Tombo, Lisboa 1993 - Monumento ao Trabalho, Almada 1996 - Monumento Escultóricos no Nó da A1, Santa Maria da Feira 1996 - Retrato de Rodrigo Maria Berquó, Caldas da Rainha 1998 - Retrato de D. João V, Coudelaria - Alter do Chão 1999 - Escultura de 7 Rios, Lisboa 1999 - Retrato de Camões, Assembleia da República - Lisboa 1999 - Monumento à Paz, Parque da Paz - Almada 1999 - Presépio, Fátima 2001 - Porta de Abril, S. Paulo - Brasil 2004 - Emissor Receptor de Ondas Poéticas, Capuchos 2005 - Mil Olhos - Memorial a Pablo Neruda, Capuchos 2005 - Círio do Vau, Óbidos 2005 - Teatro, Teatro Municipal de Almada Em 2005, participa nas Comemorações Nacionais dos 650 Anos da Morte de Inês de Castro e realiza a edição de uma escultura em cristal alusiva à efeméride, a convite da fábrica de cristal francesa DAUM e é agraciado pelo Presidente da Républica do Chile, com a Ordem de Bernardo O´Higgins - Grau de Comendador, pelo seu desempenho nas comemorações do centenário do nascimento do poeta Pablo Neruda. Em 2006 é agraciado pelo Presidente da Républica de Portugal, com a Ordem do Infante - Grau de Comendador, pela sua significativa actividade como escultor e como cidadão. Algumas notas auto-biográficas
Não há limite para o encantamento que quase tudo em mim provoca! Como é bom descobrir a beleza contida na agulha de um pinheiro, no caprichoso desenho de um opérculo, na esrtutura de uma pena ou no brilho dos olhos da minha gata, no rigor de um trangulo, na perfeição de uma esfera. Oh! como eu gosto da densidade das formas, das que encontro,das que imagino, das que modelo, setir a energia cósmica quando olho a lua, as estrelas, o infinito ou simplesmente a brisa que passa sem se ver! Como é bom percorrer a Histária e imaginar o Homem em todas as situações da sua vivencia, iventando em cada momento e simultâniamente os meios para a conquista do Conhecimento em cada tempo e em cada espaço. Como eu gosto de máquinas, de engrenagens, de tudo o que, de algum modo, evidência a intelegência do Homem; a música, a poesia, a metafísica, os mitos, ouvir o silêncio, penetrar as penumbras, ver nas sombras, olhar os ruídos do mar e os mistérios. Como é bom sentir-me um átomo de um cosmos formado por milhões de milhões de minúsculos cosmos interdependentes e ter a consciência da sua complementariedade. Da roda ao parafuso, quanta energia ao pensar, no fazer, no experimentar, no aperfeiçoar. Do fole, que deu origem às primeiras forjas e fundições, aos actuais fornos que permitem as fundições mais sofisticadas, quanta energia consumida na conquista no domínio sobre os metais. Do torno rudimentar da Idade Média aos centros de maquinagem dos nossos dias, quanto saber acumulado. Da descoberta da electricidade aos circuitos integrados quanto progresso científico e tecnológico. A energia qie faz pulsar o Universo, omnipersente em quantidades impossíveis de quantificar de tão astronómicas, vai empurrando a matéria e o espírito para renovadas aventuras, tornando realidade os sonhos em permanente ebolição. (...)"in Fascínio da Vida, 1995 A minha relação com os processos e técnicas de fundição, a minha curiosidade, a minha vontade de conhecer por dentro todas as regras, conhecer por dentro todas as voltas que uma peça dá até ser fundida e ficar pronta, levaram-me a permanecer longos períodos numa fundição ora acompanhando e participado na passagem a bronze de alguns dos meus trabalhos, ora pesquisando novas formas de expressão a partir dos meios proporcionados pela fundição em areia."in Viagem Pelo Tempo, 2005
A minha relação com a aerodinâmica vem de muito longe. Desde menino que os meus brinquedos, quase todos fabricados por mim, tinham a ver com o ar; aviões de balsa, papagaios de papel, hélices voadoras, fabricadas amorosamente com carrinhos de linha vazios, latas de conserva, pregos e cordel, bem como muitas outras aventuras com objectos voadores a que não eram alheias as avassaladoras histórias de ovnis que até então dominavam a nossa curiosidade sobre a existência de outros seres, habitantes de outros planetas do sistema solar ou até mesmo de outras galáxias. Hoje, apesar de algumas dessas dúvidas estarem aparentemente resolvidas com a conquista do espaço e com o aprofundamento do conhecimento científico do cosmos, mantêm-se o fascínio que levou Ícaro a querer voar e a dar a vida por esse sonho e vai levando o Homem cada vez mais longe na sua infinita sede de saber. Quase sem dar por isso entrei no terceiro milénio envolto no mesmo fascínio que sentia em menino; a mesma necessidade de desafiar os deuses, a mesma determinação em construir amorosamente os meus cataventos, brinquedos mais complexos nas múltiplas valências e exigências, nunca completamente acabados. sempre sujeitos aos caprichos do vento, ora quando sopra pouco ora quando sopra demais. Mas apesar de eles terem uma importância relativa no conjunto da minha actividade, continuam a ser um espaço de liberdade, onde o aspecto lúdico se mistura com desafios de grande rigor e permanente busca de novas soluções técnicas e plásticas que resistam mais e melhor ao seu pretenso "eterno movimento". Eles têm a importância que têm, maior nos efeitos que geram do que nos objectivos que não perseguem; eles ajudam a manter vivos alguns valores que sei serem sagrados e que, sem os quais, o meu equilíbrio existencial teria muita dificuldade em sobreviver. São afinal a resposta às muitas questões sem sentido que este mundo complexo e injusto não deixa de forjar na sua constante caminhada pelo espaço sideral, também ele, qual imenso catavento, sujeito às imponderáveis leis do devir."in Pás de Vento Ventos de Paz Algumas notas críticas sobre a obra de José Aurélio:
Ao mostrar como é feita, a escultura de José Aurélio surpreende pela simplicidade do resultado a que chega. Quanto mais simples, mais original - direi eu, que descubro nesta obra uma necessidade de libertar a forma, reduzindo a um signo gigantesco que sintetiza em si toda a experiência humana." Eurico Gonçalves - in Phoenixes, 1997
A obra de José Aurélio labora na compreensão profunda das linguagens predominantes na escultura contemporânea; reencontra-lhes uma coerência plural que inclui simultaneamente figuração e abstracção, informalismo e geometrismo, simbologias e sinaléticas, conceptualismo e objectualidade, donde não se encontrar isenta de ironia e sentido do absurdo."M. Fátima Lambert - in Acerca das Tendências da Escultura Portuguesa, 1996
"Cruz de Cristo 3D", 1977
Os caminhos da criação artísticas cruzam-se, desde os primórdios, na obra de José Aurélio, com os do património histórico cultural. de facto, nela abundam as peças que assinalam acontecimentos e figuras da história portuguesa, mais longínqua ou mais recente.(...) O trabalho sobre a memória histórica e o diálogo com o património constituem exigências de uma reflexão moderna sobre a identidade, quando esta é vista como uma construção e não como um dado, um múltiplo e não uma unidade predeterminada. (...) Nesta perspectiva, a obra de José Aurélio, preenche um espaço importantíssimo da relação do Portugal actual com a sua própria memória." João Bonifácio Serra - in Fogo e Areira, 2005
O que mais me impressiona na obra de José Aurélio é a sua enorme versatilidade. Da madeira ao ferro, da pedra ao plástico, do vidro à cerâmica e a outros desvairados materiais, o escultor utiliza uma linguagem específica, uma humildade artesanal e uma força articuladora da descoberta, uma simbologia e uma relação com o espaço e os elementos naturais, que creio serem únicas no panorama das nossas artes."Vasco Graça Moura - in Variações Metálicas, 2004 Foto de Ana Gaiaz, in Variações MetálicasVariações Metálicas é um livro de poemas de Vasco Graça Moura e de fotografias de Ana Gaiaz, do qual se transcreve o poema "projecto em selva oscura" e a fotografia das páginas 64/65. | | projecto em selva oscura
junto ao buraco onde é virgílio e dante me conduziu e os cantos se articulam, não sei se cale ainda ou por diante
avance nas palavras, quando ondulam memórias de outros mundos sob o céu e os poetas cansados gesticulam
e pouco vale rasgar-se então o véu que da palavra ao ser atormentando as almas e a deixar corpos ao léu,
em milenário rol foi registando as solidões, disposto a esquecê-las, mas que aumentava, enquanto ia lembrando
o amor que move o céu e as mais estrelas. | |
"Torre do Tombo - Fachada principal Sul", 1988-90
Com o seu sentido de exigência, José Aurélio terá pensado em toda esta tão complexa e tão miticamente valorizada figura da imaginada medieval, agora contida num cubo de pedra bruta de 20 toneladas, debruçada de uma torre, de uma torre que o não é exactamente, assim se chamando desde sempre, porém. E onde a memória verdadeira errara, aquela com que um povo, uma nação, se conhce e comove no que dela se guarda, se arquiva e se transmite. Seria necessário ao escultor atender, primeiro, ao simbolismo que o edifício por si mesmo propõe; àquele outro que a figura encomendada recorda e, também, ao simbolismo de uma herança cultural sempre a perfazer-se; de onde, por via deste último depare com a história, o futuro dela ou os modos de precaver a História desse futuro, digamos assim."Fernando Azevedo - in Gestos e Sinais, 2001
Opostamente, contudo aos teus companheiros de outrora, talvez não procures no oiro, na prata, no marfim e nas outras especiarias, se não o regresso à posse da pedra filosofal, para daí partires em busca de uma linguagem primordial, metamorfose que no sentido metafísico visaria alcançar a expressão da Ideia a um nível vasto e superior. Isto é, a busca do Belo pela transmutação da beleza. A beleza do oiro, da prata, do marfim e das outras especiarias."Jorge Pinheiro - in Jornal de Exposição, Culturgest 1995
A esta capacidade para integrar diferentes géneros formais, para criar o novo coexistente, junta-se um continuado raciocínio de selecção, não em nome de aparente e explícita homogeneidade de formas, que satisfaria uma perceptível marca forma, de evidente e positiva auto-identificação, mas de opções, que transmitem o forte e multifacetado mundo de significados da escultura de José Aurélio."José Charters Monteiro - in Fogo e Areira, 2005
"Monumento à Paz", 1999 (...) "Árvore da Paz" foi chamada a escultura que José Aurélio criou em 1999 para um apropriado espaço urbano da cidade de Almada, escultura que vem na sequência de outras, como o "Monumento ao Trabalho", também erigida numa avenida da mesma cidade, também concebida e realizada em aço corten (duas mãos metálicas entrelaçadas, a rebitagem aparente, junção idealizada, aliança ou prece entre o poder e o trabalho que o forja), e fazendo parte de um impressionante curriculum de um artista que toca em todos os materiais e em todos os géneros. Não o faz, porém, por incoerência de direcção ou por dispersa opolência, fá-lo antes por gosto do exercício imaginativo que a variadade e a variação dos meios, dos processos e dos temas a abordar impelem quase sempre para a novidade da linguagem dos materiais, para o estudo da sua mecânica e expressividade e para, ainda, o imponderável do acaso, o acaso que ajusta à ciência o imprevisto da emoção original. (...)"Fernando Azevedo - in Monomento à Paz, 2001 Qualquer tentativa da sistematização da produção artísticas de José Aurélio deve sobretudo ter em conta a constância de um espírito investigador. Definido com um "experimentador", reconhece em si próprio esse renovado entusiasmo por encarar novos desafios e encontrar soluções para os problemas que o seu próprio trabalho, à escala do estúdio ou do espaço público, vai colocando. Poucas vezes as soluções encontradas para uma situação são aplicáveis noutras, quer no que respeita a selecção dos materiais a utilizar quer no que tem que ver com as soluções técnicas para problemas de contrução, resistência e durabilidade."Lúcia Almeida Matos - in Fogo e Areia, 2005
Ao percorrer a grande nave do Mosteiro de Alcobaça, "onde praticamente o autor nasceu", pelos corredores laterais vi, senti, reencontrei a peça infinita na forma dos altos arcos que a belíssima estrutura desenha. E aí, o que mais me surpreendeu nas duas, na peça e na arquitectura foi o espaço livre, a ruptura fina, apertada pelas paredes que, por uma geometria de grande equilíbrio, lhe dão corpo ou o vazio interventivo que lhes significam o desejo de infinito. Tal como na música, e é uma analogia tentadora, o silencio separa dois acordes para melhor os revelar."Rogério Ribeiro - in Fogo e Areia, 2005
A esculturas públicas de José Aurélio, são pontos de conexão identitários que subtilmente reforçam os elos que ligam as comunidades aos seus lugares de memória e os projectam no futuro."Sérgio Vicente - in Fogo e Areia, 2005
Desde há muitos anos (de facto, que eu saiba, desde que o artista se conhece como tal) que esse caminho criativo é sempre idêntico. Inicia-se com o acto de colectar a informação necessária, recorrendo à pesquisa de historiador e aos informes da memória, de seguida organiza e elabora os dados recolhidos (utilizando o indescritível ambiente do seu atelier de Alcobaça, que mais parece, no dizer de Mário Soares, uma última granja de monges ciestercience resgatada das memórias), abre-se a uma espécie de diálogo surdo com a peça imaginada, e prescuta-lhe de seguida a essência, através de inúmeros estudos preliminares a fim de descobrir como deve assumir, na fase criativa, o essencial do tema. Ou seja, assume o desejo de atingir, numa espécie de conhecimento alquímico, os sinais precisos na identidade buscada, a partir dos quais poderá finalmente elaborar o objecto certo para a dimensão dos sonhos..."Victor Serrão - in Fogo e Areia, 2005"
José Aurélio é um escultor de muito mérito - de grandes obras públicas e de peças de atelier - um criador de jóias e de outras alquimias (como ele diz) e um excelente medalhista. Além disso, é um cidadão atento, que viveu com entusiasmo o 25 de Abril e que tem participado, desde o final dos anos 50, nos movimentos cívicos em favor da liberdade."Mário Soares - in Gestos e Sinais, 2001
"Parque Eólico junto ao atelier do escultor"
Através deste inventos, na criação destas pás de vento que se desejam transformado em ventos de paz, o escultor assume plenamente como um observador e experimentador atento de causas e efeitos. Na sua oficina e assumpção plena do prazer do trabalho oficinal, José Aurélio alia a Arte ao Engenho numa procura, mais empírica do que estudada em manuais, das transformações necessárias a imprimir aos objectos para que se sustenham e rodem sem parar."Ana Isabel Ribeiro - in Pás de Vento Ventos de Paz, 2006
Há muito, portanto, que o jogo entrou em contacto com o ar. E há muito também que o trabalho de José Aurélio anuncia exercício eólicos. Desde os seus iniciais aparelhos voadores, prescurtou os céus, até às experiências mais tardias de aeromodelismo, à revisitação de míticas aves na exposição Phoenixes (Sintra, 1997) até aos peixes voadores com que pontuou os céus de Reguengos de Monsaraz (2002), tudo apontava para um reconhecimento do ar como matéria a usar, simultaneamente suporte e medium, com o qual e no qual as outras matérias ganham um corpo diverso, um ponto de vista que as transmuta. Dissertação de dúplice raiz - conceptual e lúdica - a realização dos cata-ventos sintetiza um percurso experimental, corolário de uma carreira de reinvenção".Emília Ferreira - in Pás de Vento Ventos de Paz, 2006
| | Aurélio o poeta das mãos mágicas a ciência do metro medido pelo coração do circulo copolando com o angulo do traço de amor entrevisto algures na sua forma (a outra forma se casando) brincando com o ar propondo-lhe seus jogos seus graves brinquedos" Levi Condinho, in Jogo de Ar, 1997 | |
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